3 o'clock in the morning. I'm having a very important test in college in a few hours and I don't want to study, sleep or write in portuguese.
Enough. I'm through of this year. OK, I have no money problems, an awesome family, some awesome friends, a beautiful girlfriend. I love them, they love me, nobody's sick, bla, bla, bla...
Enough, nevertheless. It has been a nightmare. Literally – I'm having constant bad dreams about the uncertainty of my professional choice. I had a working experience, with an impolite illiterate woman, doing a job a 4 year old could perform. When I quit, people started casting me ugly looks, as if they were saying I shouldn't give up at any cost. Sometimes I think they're right. But how come I'm only 20 years old and are already so deeply comitted to a career I'm not even sure I want? That strange feeling that the journalist is the prostitute of mass media companies keeps haunting me. There is a difference, a professor said to me once, between selling your work and selling your conscience; but how tangible is that difference? And, worse, will I be able to afford myself – and a family, perhaps – if I keep my conscience intact?
Don't know. Anyways, time to get some sleep.
segunda-feira, 12 de novembro de 2007
domingo, 2 de setembro de 2007
Hilários
Esses americanos realmente me fazem rir... às vezes.
Pois eis que o senador republicano Larry Craig, do estado de Idaho, é envolvido nesta semana que passou em um escândalo sexual. Nossa memória pode nos remeter imediatamente a Kenneddy (o John, pois Bobby ganhou recentemente um filme no qual é bonzinho) ou a Clinton, nos famosos casos de felação no salão oval da Casa Branca. Pois nossas lembranças, como fazem muitas vezes, enganam; o senador em questão foi associado a assédio sexual em um banheiro... masculino!
O policial, no seu respeitável papel de agente da segurança pública, denunciou o senador e o prendeu no local como vítima de uma investida "lasciva", com "clara intenção sexual". O nobre senador se defendeu dizendo que nada tinha feito de errado e que não era gay. Com essas sábias palavras, ele conquistou a ira tanto da cúpula republicana quanto da comunidade gay norte-americana. Não lhe restava outra saída que não a renúncia. Na despedida, pediu desculpas ao sofrimento que causou à sua família e ao estado que representou por três mandatos.
O hilariante Larry Craig, ultraconservador, representa justamente o partido que inflige todo empeço possível ao casamento homossexual ou a quaisquer direitos a minorias votados (e derrotados) no glorioso Congresso estadunidense. Craig, embriagado em sua empáfia conservadora, esqueceu que ele próprio se inclui no grupo cujos direitos ajudou a revogar. Se esquece que as vítimas de suas sanções tiveram a mesma sensação na pré-adolescência; a mesma atração pelo gênero "errado"; o mesmo sentimento de exclusão alimentado pela sociedade retrógrada que o partido republicano ajuda a construir e a manter.
Dentre os republicanos há também outros casos hilários e intrigantes. O senador David Vitter, por exemplo, um valoroso defensor da moral familiar e dos bons costumes, foi forçado à renúncia após seu nome ser descoberto em um site de procura de "acompanhantes". Ou o deputado Mark Foley, que presidia um grupo dentro do Congresso responsável pela defesa de menores desaparecidos ou explorados. Sim, presidia, pois foi divulgado em rede aberta o conteúdo de linguagem sexual explícita de um de seus inúmeros emails endereçados a adolescentes. Do mesmo sexo, para fins de curiosidade.
A hipocrisia republicana não se detém nas questões de guerra, como podemos ver. Sou forçado a admitir – muito embora ainda esteja decepcionado com meu âmbito – que, graças à imprensa, a roupa suja começa a ser lavada com mais freqüência. No Congresso ou nos banheiros públicos.
Esses americanos são realmente hilários...
Pois eis que o senador republicano Larry Craig, do estado de Idaho, é envolvido nesta semana que passou em um escândalo sexual. Nossa memória pode nos remeter imediatamente a Kenneddy (o John, pois Bobby ganhou recentemente um filme no qual é bonzinho) ou a Clinton, nos famosos casos de felação no salão oval da Casa Branca. Pois nossas lembranças, como fazem muitas vezes, enganam; o senador em questão foi associado a assédio sexual em um banheiro... masculino!
O policial, no seu respeitável papel de agente da segurança pública, denunciou o senador e o prendeu no local como vítima de uma investida "lasciva", com "clara intenção sexual". O nobre senador se defendeu dizendo que nada tinha feito de errado e que não era gay. Com essas sábias palavras, ele conquistou a ira tanto da cúpula republicana quanto da comunidade gay norte-americana. Não lhe restava outra saída que não a renúncia. Na despedida, pediu desculpas ao sofrimento que causou à sua família e ao estado que representou por três mandatos.
O hilariante Larry Craig, ultraconservador, representa justamente o partido que inflige todo empeço possível ao casamento homossexual ou a quaisquer direitos a minorias votados (e derrotados) no glorioso Congresso estadunidense. Craig, embriagado em sua empáfia conservadora, esqueceu que ele próprio se inclui no grupo cujos direitos ajudou a revogar. Se esquece que as vítimas de suas sanções tiveram a mesma sensação na pré-adolescência; a mesma atração pelo gênero "errado"; o mesmo sentimento de exclusão alimentado pela sociedade retrógrada que o partido republicano ajuda a construir e a manter.
Dentre os republicanos há também outros casos hilários e intrigantes. O senador David Vitter, por exemplo, um valoroso defensor da moral familiar e dos bons costumes, foi forçado à renúncia após seu nome ser descoberto em um site de procura de "acompanhantes". Ou o deputado Mark Foley, que presidia um grupo dentro do Congresso responsável pela defesa de menores desaparecidos ou explorados. Sim, presidia, pois foi divulgado em rede aberta o conteúdo de linguagem sexual explícita de um de seus inúmeros emails endereçados a adolescentes. Do mesmo sexo, para fins de curiosidade.
A hipocrisia republicana não se detém nas questões de guerra, como podemos ver. Sou forçado a admitir – muito embora ainda esteja decepcionado com meu âmbito – que, graças à imprensa, a roupa suja começa a ser lavada com mais freqüência. No Congresso ou nos banheiros públicos.
Esses americanos são realmente hilários...
Chora Paris, choro eu.
Caminho só. Solitariamente embalado nos braços frios do vento parisiense. Já não trago o fascínio dos meus primeiros tempos nesta cidade, que certamente é uma das mães daquilo que convencionamos chamar de cultura ocidental.
Já não me importo tanto com esse amontoado de museus, avenidas largas e monumentos mais antigos que o meu país. A falta aguda que causas em mim soube sorrateiramente tomar conta dos meus pensamentos e uma a uma minhas saudades pela família, pelos amigos e pela minha terra cederam espaço a uma única e doída lembrança: a tua.
Não que eu sinta que tenha te perdido, pra falar a verdade nem penso nisso, sinto apenas que esses nove mil quilômetros e um oceano que nos separam me estão privando de ter-te aqui caminhando ao meu lado e pronunciando aquelas poucas palavras que conhecemos da língua de Proust, que por sinal, estudamos juntos.
Depois de percorridas estas ruas, regressarei. Como bom filho, à casa torno. Junto a mim irão estas lembranças e o conhecimento que ganhei – remoído e recordado só fará aumentar. Também levarei a saudade, que agora será de ti, Cidade Luz, e não daquela que deixei e que logo me trará o riso de volta.
Esse texto, magnífico, é da autoria de Felipe Martini, o Pepe – meu colega, meu amigo –, realizado para uma tarefa da aula de Português, onde compartilhamos histórias e escrevemos um sobre o outro.
Se queres ler mais coisas do Pepe, acesse seu blog: http://semeadura.blogspot.com/
Já não me importo tanto com esse amontoado de museus, avenidas largas e monumentos mais antigos que o meu país. A falta aguda que causas em mim soube sorrateiramente tomar conta dos meus pensamentos e uma a uma minhas saudades pela família, pelos amigos e pela minha terra cederam espaço a uma única e doída lembrança: a tua.
Não que eu sinta que tenha te perdido, pra falar a verdade nem penso nisso, sinto apenas que esses nove mil quilômetros e um oceano que nos separam me estão privando de ter-te aqui caminhando ao meu lado e pronunciando aquelas poucas palavras que conhecemos da língua de Proust, que por sinal, estudamos juntos.
Depois de percorridas estas ruas, regressarei. Como bom filho, à casa torno. Junto a mim irão estas lembranças e o conhecimento que ganhei – remoído e recordado só fará aumentar. Também levarei a saudade, que agora será de ti, Cidade Luz, e não daquela que deixei e que logo me trará o riso de volta.
Esse texto, magnífico, é da autoria de Felipe Martini, o Pepe – meu colega, meu amigo –, realizado para uma tarefa da aula de Português, onde compartilhamos histórias e escrevemos um sobre o outro.
Se queres ler mais coisas do Pepe, acesse seu blog: http://semeadura.blogspot.com/
sexta-feira, 17 de agosto de 2007
De Gretsch a Sheratton
Estava um dia desses tocando e conversando sobre música com meu pai – monstro sagrado do rock'n'roll cruzaltense, com já disse anteriormente em algum espaço. Acontece que o homem em questão, João Carlos Heberle, um senhor de 53 anos, nunca passou o dedo em uma partitura e é o responsável por alguns dos solos mais do car**** que eu já ouvi ao vivo; e eu vi Clapton. Além disso, seu ritmo é preciso como o de um relógio dinamarquês, o que eu não herdei. Essa característica eu puxei dos antepassados da família da mãe, provavelmente um bando de alemães mal-humorados e workaholics, cujo maior contato musical foram alguns bailes kerb, com aquele ritmo tirolês que pode ser executado por uma criança de dois anos.
A família do pai não tocava nada, mas perpetuava algum talento latente. O pai deve ter sido de fato o primeiro músico dentre os Heberles. Sua carreira amadora começou ali por 1966. À época, meu saudoso vô Oscar, funcionário da Varig, fora promovido e se mudara para Nova York, a capital do mundo, where all was going on. Junto, a esposa, os três filhos e a sogra, porque as coisas não eram tão simples.
Seu filho mais velho, um rapaz de 13 anos, começou a fomentar um gosto por guitarras. Esse gosto foi incentivado pelo vizinho do novo lar nova-iorquino, o Mister Paccetta.
Mr. Paccetta era um homem corpulento, simpático. E emotivo, claro, como todo bom italiano. Seu filho Toni era daqueles que atirava beijo para as mulheres na rua e as pedia em casamento ("Marry me, ragazza, I love you!!"). Ambos tocavam guitarra. Ambos convenceram o vô a presentear o jovem Johnny Heberle com uma reluzente Gretsch Tennessean. Ambos passaram a ter o amor incondicional de Johnny desde então.
Armado, o pequeno Heberle pôde ir à luta. E não havia época melhor para isso. A década de 1960 foi a catapulta de Rolling Stones, The Who, Jimi Hendrix e muitos outros. Mas o que atraiu de imediato a atenção de Johnny foi aquele rock em Mi maior, com baixo e bateria muito bem marcados e três vozes cantando "She was a daaay tripper...". Era o que todo guri precisava para passar o dia inteiro tocando guitarra; ainda mais com uma Gretsch.
The boys from Liverpool eram a sensação do momento. Nunca se tinha ouvido nada parecido. O rock que Elvis e Carl Perkins faziam se resumia a um blues acelerado – os Beatles utilizaram-se bastante do Mi-Lá-Si7 de seus precursores, mas evoluíram mais e mais. John deu peso aos vocais; Paul, guitarrista de origem, mudou a maneira de se tocar baixo; George reinventou solos e acordes; e Ringo organizava tudo isso com precisão cirúrgica.
Some-se a isso as centenas de composições geniais e temos o resultado que se vê hoje, seja pela quantidade de álbuns vendidos ou pela atemporalidade de sua música. Música capaz de reunir, 40 anos depois, um pai e um filho em uma sala, violões em punho, tentando imitar os vocais de "Eight Days a Week".
O pai, após seu começo regado a Beatles e, posteriormente, a Led Zeppelin, Deep Purple e Pink Floyd, se aventurou por outros gêneros. E outros instrumentos – a Gretsch foi vendida antes de eu nascer, dando lugar a uma Stratocaster envenenada e depois a uma Epiphone Sheratton. O cara também toca, muito bem, piano e arranha alguma coisa de sopro.
Por que essa puxação de saco incessante?
O personagem do texto acaba de me presentear com um amplificador Marshall, novinho.
A família do pai não tocava nada, mas perpetuava algum talento latente. O pai deve ter sido de fato o primeiro músico dentre os Heberles. Sua carreira amadora começou ali por 1966. À época, meu saudoso vô Oscar, funcionário da Varig, fora promovido e se mudara para Nova York, a capital do mundo, where all was going on. Junto, a esposa, os três filhos e a sogra, porque as coisas não eram tão simples.
Seu filho mais velho, um rapaz de 13 anos, começou a fomentar um gosto por guitarras. Esse gosto foi incentivado pelo vizinho do novo lar nova-iorquino, o Mister Paccetta.
Mr. Paccetta era um homem corpulento, simpático. E emotivo, claro, como todo bom italiano. Seu filho Toni era daqueles que atirava beijo para as mulheres na rua e as pedia em casamento ("Marry me, ragazza, I love you!!"). Ambos tocavam guitarra. Ambos convenceram o vô a presentear o jovem Johnny Heberle com uma reluzente Gretsch Tennessean. Ambos passaram a ter o amor incondicional de Johnny desde então.
Armado, o pequeno Heberle pôde ir à luta. E não havia época melhor para isso. A década de 1960 foi a catapulta de Rolling Stones, The Who, Jimi Hendrix e muitos outros. Mas o que atraiu de imediato a atenção de Johnny foi aquele rock em Mi maior, com baixo e bateria muito bem marcados e três vozes cantando "She was a daaay tripper...". Era o que todo guri precisava para passar o dia inteiro tocando guitarra; ainda mais com uma Gretsch.
The boys from Liverpool eram a sensação do momento. Nunca se tinha ouvido nada parecido. O rock que Elvis e Carl Perkins faziam se resumia a um blues acelerado – os Beatles utilizaram-se bastante do Mi-Lá-Si7 de seus precursores, mas evoluíram mais e mais. John deu peso aos vocais; Paul, guitarrista de origem, mudou a maneira de se tocar baixo; George reinventou solos e acordes; e Ringo organizava tudo isso com precisão cirúrgica.
Some-se a isso as centenas de composições geniais e temos o resultado que se vê hoje, seja pela quantidade de álbuns vendidos ou pela atemporalidade de sua música. Música capaz de reunir, 40 anos depois, um pai e um filho em uma sala, violões em punho, tentando imitar os vocais de "Eight Days a Week".
O pai, após seu começo regado a Beatles e, posteriormente, a Led Zeppelin, Deep Purple e Pink Floyd, se aventurou por outros gêneros. E outros instrumentos – a Gretsch foi vendida antes de eu nascer, dando lugar a uma Stratocaster envenenada e depois a uma Epiphone Sheratton. O cara também toca, muito bem, piano e arranha alguma coisa de sopro.
Por que essa puxação de saco incessante?
O personagem do texto acaba de me presentear com um amplificador Marshall, novinho.
segunda-feira, 13 de agosto de 2007
Ônibus aéreos, acidentes e seus desdobramentos
13 de agosto de 2007. Quase um mês após o acidente com o Airbus da TAM em Congonhas.
E a cobertura começa a minguar.
Mesmo com a inoperância do governo, que faz pouco ou nada a respeito, a mídia como um todo parece estar se silenciando. O interesse no acidente aparentementeu extinguiu-se no momento em que foram revelados, em todos os meios de comunicação do país, os últimos instantes dos infelizes tripulantes do vôo 3054, registrados pela caixa-preta do A-320. Foi um espetáculo, um verdadeiro espetáculo. Tudo foi divulgado. As televisões trataram de reproduzir as falas do comandante e co-piloto com fidelidade dramática; os jornais, redigiram o diálogo inteiro, ipsis literis. E é assim, explorando esse sadismo doentio intrínseco à natureza humana, pisoteando em cadáveres – e, conseqüentemente, em seus familiares – que a mídia justifica sua fome por informação. Não interessa que o menino de oito anos, atônito, ouça o co-piloto agonizando, clamando a Deus por salvação. Tudo deve ser divulgado.
Mas o que pode fazer a mídia, um simples conglomerado de formadores de opinião?
Tudo. Como os três poderes não assumem exatamente a nobre função fiscalizadora estipulada por Montesquieu, o jornalismo vira uma espécie de estepe do legislativo. Especialmente se os deputados estão ocupados aumentando os próprios salários ou trocando de posição por dinheiro (o que lhes rendeu uma notável comparação com prostitutas elaborada pelo pessoal do Casseta e Planeta; na minha opinião uma ofensa às representantes do velho ofício). Tal qual um rígida professora de primário de 1930, é nosso dever verificar se o tema de casa está sendo feito.
Não é o que acontece. A cobertura pós-caixa-preta praticamente inexiste, considerando-se que não é rentável, e nesse ínterim, fatos importantes são ignorados. Apresento, humildemente, alguns:
O aeroporto mais novo do Brasil é o de Palmas, Tocantins. Data de construção: 1988. Mais velho do que muitos de meus amigos, estudantes universitários. Urge uma grande reforma, ou um novo aeroporto, ou uma linha de trens eficiente que ligue Guarulhos à capital São Paulo. Mas a decisão, qualquer que seja, tem de ser tomada logo. E quando algo for feito em São Paulo, que se faça algo no Rio, em Salvador, em Manaus... Mas logo. Ao contrário do que disse pouco antes da tragédia o brigadeiro Juniti Saito, comandante da Aeronáutica, talvez não seja uma boa idéia dobrar o turno de uma classe que trabalha sob tamanha carga de estresse como a dos controladores de vôo - não esqueçamos deles, por Deus. Também me parece inadequado o esforço da Infraero em transformar o Aeroporto Salgado Filho em um magnífico shopping center (cinema e tudo) quando há outras questões como as já anteriormente citadas em pauta; questões, às vezes, tão pouco discutidas. Algo precisa ser mostrado.
Mas não a agonia da aeromoça, pelo amor de Deus.
E a cobertura começa a minguar.
Mesmo com a inoperância do governo, que faz pouco ou nada a respeito, a mídia como um todo parece estar se silenciando. O interesse no acidente aparentementeu extinguiu-se no momento em que foram revelados, em todos os meios de comunicação do país, os últimos instantes dos infelizes tripulantes do vôo 3054, registrados pela caixa-preta do A-320. Foi um espetáculo, um verdadeiro espetáculo. Tudo foi divulgado. As televisões trataram de reproduzir as falas do comandante e co-piloto com fidelidade dramática; os jornais, redigiram o diálogo inteiro, ipsis literis. E é assim, explorando esse sadismo doentio intrínseco à natureza humana, pisoteando em cadáveres – e, conseqüentemente, em seus familiares – que a mídia justifica sua fome por informação. Não interessa que o menino de oito anos, atônito, ouça o co-piloto agonizando, clamando a Deus por salvação. Tudo deve ser divulgado.
Mas o que pode fazer a mídia, um simples conglomerado de formadores de opinião?
Tudo. Como os três poderes não assumem exatamente a nobre função fiscalizadora estipulada por Montesquieu, o jornalismo vira uma espécie de estepe do legislativo. Especialmente se os deputados estão ocupados aumentando os próprios salários ou trocando de posição por dinheiro (o que lhes rendeu uma notável comparação com prostitutas elaborada pelo pessoal do Casseta e Planeta; na minha opinião uma ofensa às representantes do velho ofício). Tal qual um rígida professora de primário de 1930, é nosso dever verificar se o tema de casa está sendo feito.
Não é o que acontece. A cobertura pós-caixa-preta praticamente inexiste, considerando-se que não é rentável, e nesse ínterim, fatos importantes são ignorados. Apresento, humildemente, alguns:
O aeroporto mais novo do Brasil é o de Palmas, Tocantins. Data de construção: 1988. Mais velho do que muitos de meus amigos, estudantes universitários. Urge uma grande reforma, ou um novo aeroporto, ou uma linha de trens eficiente que ligue Guarulhos à capital São Paulo. Mas a decisão, qualquer que seja, tem de ser tomada logo. E quando algo for feito em São Paulo, que se faça algo no Rio, em Salvador, em Manaus... Mas logo. Ao contrário do que disse pouco antes da tragédia o brigadeiro Juniti Saito, comandante da Aeronáutica, talvez não seja uma boa idéia dobrar o turno de uma classe que trabalha sob tamanha carga de estresse como a dos controladores de vôo - não esqueçamos deles, por Deus. Também me parece inadequado o esforço da Infraero em transformar o Aeroporto Salgado Filho em um magnífico shopping center (cinema e tudo) quando há outras questões como as já anteriormente citadas em pauta; questões, às vezes, tão pouco discutidas. Algo precisa ser mostrado.
Mas não a agonia da aeromoça, pelo amor de Deus.
quinta-feira, 2 de agosto de 2007
Outro...
Estou há muito tempo sem escrever nada neste espaço. Isso ocorre por dois motivos: uma agoniante falta de tempo ou uma pura, e não menos agoniante, falta de assunto. Portanto, como temas mediáticos poderiam me render uma sonora demissão ou seriam extremamente maçantes, terei de apelar ao futebol. Os gremistas que me desculpem.
E mais um se foi...
O nosso futebol foi dilacerado. Alexandre Pato, uma das maiores promessas brasileiras de todos os tempos, se foi. Pelo equivalente ao PIB de um país da América Central, é verdade, mas foi. Exagero? Novembro de 2006. Pato estréia fora de casa contra o Palmeiras. Em seu terceiro toque na bola, a um minuto e meio de jogo, gol. O que se seguiu no estádio que viu Ademir da Guia foi mais três gols, todos com a participação primordiosa do guri magrinho e rápido, muito rápido. Segundo jogo, outro gol, e a classificação à final do Mundial. Terceiro jogo, campeão mundial. Antes de contestar, pense no outro campeão mundial com 17 anos. É, esse mesmo.
A diferença é que os ídolos do passado ficavam anos no clube; Pato ficou meses. O débil futebol brasileiro, reflexo magnífico do país, não tem condições de negar uma cifra com mais de cinco zeros, mesmo com um talento de tal envergadura. Não quando está endividado até os olhos. E estamos falando de um gênio. Mais que isso, de um jogador completo. Sua capacidade de posicionamento, cabeceio, chute e velocidade é muito acima da média. Ah, ele não foi embora sorrateiramente, como aconteceu em casos recentes; deixou um rio de dinheiro ao clube. Mas isso não aplaca a dor no coração dos colorados, que rezavam para que outro Alexandre com sobrenome de ave fosse embora do Beira-Rio.
A qualidade do futebol de Pato é inversamente proporcional à sua oratória. Tudo o que diz ao final dos jogos é "fiz a minha parte, ajudei o professor e os companheiros", mas e daí? Dezessete anos é a idade. Dez milhões – de dólares – é o contracheque.
E mais um se foi...
O nosso futebol foi dilacerado. Alexandre Pato, uma das maiores promessas brasileiras de todos os tempos, se foi. Pelo equivalente ao PIB de um país da América Central, é verdade, mas foi. Exagero? Novembro de 2006. Pato estréia fora de casa contra o Palmeiras. Em seu terceiro toque na bola, a um minuto e meio de jogo, gol. O que se seguiu no estádio que viu Ademir da Guia foi mais três gols, todos com a participação primordiosa do guri magrinho e rápido, muito rápido. Segundo jogo, outro gol, e a classificação à final do Mundial. Terceiro jogo, campeão mundial. Antes de contestar, pense no outro campeão mundial com 17 anos. É, esse mesmo.
A diferença é que os ídolos do passado ficavam anos no clube; Pato ficou meses. O débil futebol brasileiro, reflexo magnífico do país, não tem condições de negar uma cifra com mais de cinco zeros, mesmo com um talento de tal envergadura. Não quando está endividado até os olhos. E estamos falando de um gênio. Mais que isso, de um jogador completo. Sua capacidade de posicionamento, cabeceio, chute e velocidade é muito acima da média. Ah, ele não foi embora sorrateiramente, como aconteceu em casos recentes; deixou um rio de dinheiro ao clube. Mas isso não aplaca a dor no coração dos colorados, que rezavam para que outro Alexandre com sobrenome de ave fosse embora do Beira-Rio.
A qualidade do futebol de Pato é inversamente proporcional à sua oratória. Tudo o que diz ao final dos jogos é "fiz a minha parte, ajudei o professor e os companheiros", mas e daí? Dezessete anos é a idade. Dez milhões – de dólares – é o contracheque.
Assinar:
Postagens (Atom)